Não tenho uma família. Cheguei a essa conclusão. Meu pai sumiu. Minha mãe não sabe ser mãe. Minha irmã mais velha é mentirosa e manipuladora, que ainda bem saiu de casa (rezo que seja para sempre). Minha mãe arrumou um namorado. Ela e ele, ultimamente, estão praticamente morando no sítio da minha mãe. Ambos gostam de lá. Portanto, estou morando praticamente sozinha. E sabem de uma coisa, estou adorando isso. A única pessoa da família que tenho contato é minha mãe, porque, de vez enquando, infelizmente, ela volta para casa. Não gosto da minha mãe.
Como já disse minha mãe não sabe ser mãe. O dinheiro e o carro dela me são mais úteis que ela. Ou seja, se ela for embora também, tanto faz tanto fez. O problema se com ela for o dinheiro dela. Ai a situação complica pra mim! Rs! Não trabalho. Deveria trabalhar. Mas estou acomodada. Eu nasci no meio de um casamento que já estava desmoronando. Minha irmã que foi sortuda e nasceu antes do casamento dos meus pais começar a ruir. Eu nasci seis anos depois. Ou seja, meu pai, que também não sabe ser pai, já não suportava minha mãe. Minha mãe já estava humilhada e abalada com o eminente fracasso do casamento. Ela me disse que não sentiu as contrações do parto e eu nasci de cesárea. Ou seja, acho que já pressentia o desastre que ia ser minha vida.
Minha mãe é uma pessoa que sofreu bastante. É a mais velha de doze irmãos e ajudou minha avó a criar praticamente todos eles. Passou fome, estudou muito, saiu da sua cidade natal, foi humilhada no trabalho e na casa de pessoas que concordaram em dar moradia provisória para ela na capital. Enfim, comeu o pão que o diabo amassou, mas conseguiu subir na vida, passou em um concurso público, ganhou estabilidade e uma aposentadoria pra vida toda que cai direito na conta corrente dela. Infelizmente, casou-se um cara mais novo que só queria aproveitar o seu dinheiro. Teve duas filhas que, como diz ela, “não compram um chinelo pra mim. Só querem saber de me sugar, sugar, sugar!”. Hoje, com 60 anos, ela é uma pessoa extremamente amarga. E sabem de uma coisa, bem feito pra ela. Sinceramente, ela sempre foi o tipo de pessoa negativista. Não sabe olhar nada pelo lado positivo. A vida dela é boa. Mas ela acha a vida dela uma merda. Ou seja, ela não sabe viver. E coloca a culpa nos outros. Sou seu brinquedinho predileto. Todas as frustrações dela, ela descontava em mim e na minha irmã. Mas como a vaca mentirosa e manipuladora saiu de casa, sobrou pra mim.
O passado da minha mãe foi sofrido. Mas nem por isso gosto dela. Não sou obrigada a gostar dela por causa do passado dela. Como já disse, quem me criou foi o dinheiro dela, não foi ela. Pra compensar a falta de talento para ser mãe, ela me mandava para o psiquiatra para tentar entender qual era o meu problema. Falta de base familiar é o meu problema. Minha irmã também sofreu com isso. Ela, assim como eu, não teve limites. Uma ladrazinha metida a orgulhosa e manipuladora. Minha mãe, coitada, por não saber ser mãe e falar “não”, criou esses dois seres inúteis que são eu e minha irmã. Ambas problemáticas e ambas ingratas. Igual o ex-marido dela. A frase “somos donos do próprio destino” me veio a cabeça. Se for mentira, a vida da minha mãe foi uma série de infortúnios. Mas se for verdade, bem feito pra ela que procurou a própria infelicidade.
Não estou justificando e nem colocando a culpa nos meus problemas nela (só alguns). Aliás, quero que ela seja bem feliz com o namorado dela, mas o mais longe de mim o possível. Sou uma pessoa negativa. E isso eu devo a ela, que me passou a mania de olhar as coisas pelo lado negativo. Mas, não quero ser igual a ela. Por isso, estou tentando me vigiar quando começo a ficar amarga e negativa. Aliás, estou bem amarga esses dias. Mas não quero ficar.
Uma coisa engraçada. O namorado da minha mãe é tão negativo quanto ela. Os dois se merecem. Vão viver no sítio longe de mim. Mas, mãe, continua a mandar a minha mesadinha do mês que eu quero sair e eu preciso colocar gasolina no seu carrinho. E tomara que você se perceba velha o suficiente para parar de andar de carro e deixar ele só como usufruto meu. Critiquem-me o quanto quiserem. Não vou reler o que eu escrevi acima para não mudar uma palavra do que eu disse. Não quero amenizar nada. Como disse, não tenho base familiar, não gosto da minha mãe e minha irmã é uma decepção. Se fui dura demais no que eu disse é porque a revolta dentro de mim está grande e esse blog foi feito exatamente para eu desabafar.
A atitude que estou tentando tomar agora é de tentar deixar para lá. Se guardar mágoas, vou acabar ficando igual minha mãe, amarga. Tenho pavor só de pensar. A única coisa que quero dela é a perseverança. Só isso. Pra mudar de vida.
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