domingo, 1 de maio de 2011

Eu li em algum lugar que o ser humano busca o tempo todo por reconhecimento. Acho que foi em um texto de filosofia que tive que ler pra prestar o vestibular. Na verdade, acabei de pesquisar o texto no google e achei o nome dele: "Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais." de Axel Honneth. Não gosto muito de filosofia porque eu não entendo a maioria das coisas que os filósofos escrevem. E muito menos conhecia esse Axel Honneth, antes do vestibular. Apesar da leitura desse texto ter sido obrigatória e eu ter penado para entender pelo menos 10% do que ele escreveu, eu nunca esqueci o pouco que entendi da leitura. Realmente, o autor tem razão ao dizer que não adianta nada os indivíduos serem sujeitos de direito, se os outros indivíduos não reconhecem esses direitos. As revoltas sociais ocorrem porque, apesar do governo saber da existência das minorias (ou maioria, como os trabalhadores), ele não reconhece os direitos dessas, não dá valor as suas reinvindicações. Enfim, a idéia central do texto era mais ou menos essa. Reconhecimento. Não vou explicar como o autor desenvolveu a idéia central dele, porque o que eu quero fazer é utilizar essa idéia e transportá-la para a minha realidade.

Cheguei a seguinte conclusão: o que eu sinto é que não sou (ou pelo menos acho que não sou) reconhecida pelas pessoas. Busco, constantemente, a aprovação delas. Tento chamar a atenção delas sendo a palhaça da turma, para que elas, ao rirem de mim, me achem legal e divertida. Me transformo em uma "porra louca" para que elas me achem irreverente, ou seja, aquela pessoa que não segue as regras e costumes sociais. Fico perdoando as pessoas que me fizeram de boba ou passar por situações humilhantes e fico arranjando desculpas para voltar a pedir o afeto delas.Vou dar um exemplo deste último caso.

Um certo garoto, que eu estou com uma paixonite, me chamou para ir em um bar aonde os seus colegas de sala comemorariam o aniversário de um amigo deles. Fiquei super animada e estava convicta que lá eu conseguiria ficar com ele. No ínicio da noite, estava alegre. Fui na república de uns colegas meus. Saímos para um bar e tomamos algumas cervejas. Depois disso, fui para o aniversário de uma amiga minha. Bebi mais lá também. Neste aniversário, descobri que outra amiga minha estava ficando com o aniversariante da sala do garoto que eu tenho uma paixonite. Nisto, fiquei mais animada ainda, pois chegariamos juntas no outro aniversário, e eu ficaria menos tímida.


Bem, eu e minha amiga chegamos no bar aonde era comemorado o outro aniversário. O aniversariante, que estava ficando com essa minha amiga, largou todos os seus convidados e passou a dar atenção quase que exclusiva para essa minha amiga. Todo fofo com ela. E lá fui eu, investir na minha paixonite. Pedi mais bebida, porque achava que assim teria mais coragem de falar que queria ficar com ele. Ele nem deu muita atenção para mim. Até que, pouco tempo depois de eu ter chegado, ele falou que estava fechando a conta e que iria embora com uns colegas dele. Eu disse que levava ele, pois estava de carro. Ele recusou. Daí, eu fechei a minha conta também e estava quase indo embora, quando topei com um colega dele. Então pedi para este colega falar com ele que eu estava brava e chateada porque eu tinha ido no bar só para ficar com ele. O amigo disse que eu deveria dar esse recado pessoalmente. Quando fui dar o recado, amarelei. E ele foi embora e despediu de mim formalmente, pedindo somente desculpas. Isso me quebrou. Fiquei sem chão. Me senti humilhada, pois tinha falado com todos os meus amigos que eu iria ficar com essa minha paixonite neste dia. Facassei. Como sempre fracasso em tudo que faço.

Antes de ficar apaixonada por ele, nós eramos amigos. Ou pelo menos eu achava que eramos. Mandei uma mensagem no celular para ele, hoje, pedindo desculpas pelo ocorrido no bar, falando que eu estava bêbada, que não queria deixar de ser amiga dele. Enfim, implorei para ele não deixar de ser meu amigo. Sabe o que ele respondeu? Nada. Nenhuma manifestação dele. Ou seja, me humilhei de novo por nada. Por nenhum reconhecimento, por nenhuma consideração, mesmo que seja pouca.


Meus ataques de compulsão estão piores. Lembram-se do monstro? Voltou. Eu sou a sombra dele agora. Vomito 3 vezes ao dia, quase todos os dias. Existe formigas no meu banheiro agora, exatamente perto do vazo sanitário. Malditas. Nojentas. Aproveitam da minha fraqueza. Tem sempre algo se aproveitando da minha fraqueza.

Queria concluir este post retomando o início do texto. Reconhecimento. Enfim, acho que ganhei algum reconhecimento. Na clínica aonde faço tratamento para emagrecer. Eu sou a bulímica da clínica. E os profissionais que trabalham lá sabem disso. Não sei se sou a única, mas tenho certeza que eles sabem quem eu sou. Sou a bulímica da clínica. E não estou achando isto ruim. Pelo menos ganhei reconhecimento. Não é a toa que de vez enquando me deixo afundar mais no poço de merda que eu estou. Eu era saudável. Mas aquela vidinha de pessoa saudável anônima era chata. Cavei uma doença para ser reconhecida. Chocante, né?! Pelo menos você vai se lembrar de mim pois eu te choquei.

Boa noite! 

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