Completa ausência de sentimentos. Desta forma me encontro. Parece que as coisas perderam o sentido para mim. Estou me afastando cada vez mais da minha família e dos colegas ( não posso classificá-los como amigos). Não faço mais questão de ter gente ao meu redor. Perdi o ânimo de sair, mas não quero ficar em casa. Quero me isolar, mas ao mesmo tempo estou com medo. Medo de ficar sozinha comigo mesma. Eu sou capaz de ao mesmo tempo cuidar de mim e de me destruir. Sou minha melhor amiga e companheira, mas minha pior inimiga. Quando falo do monstro, esse monstro é uma parte de mim. Quando ele vem, vem pra destruir e sempre luta para ficar. Enquanto a outra parte, que é bastante frágil, tenta empurrar o monstro de volta pra gaiola dele. O monstro representa a depressão, a compulsão, os pensamentos ruins e irracionais; ele é cheio de raiva, de rancor, loucura e só me traz sofrimento e dor. Mas, às vezes, parece que preciso dele, porque só depois que ele aparece que consigo ver que existe outra parte dentro de mim que ainda quer lutar.
Tenho medo de ficar sozinha. Essa é a verdade que não gosto de confessar. Mas não quero depender da presença das pessoas, porque elas sempre vão embora. Tenho medo dos monstros dos filmes, não gosto de ficar sozinha em casa a noite. Tenho medo de perder minha mãe. Mas quando ela está perto de mim, eu odeio ela. Quando ela está longe, eu gosto dela. Não sei se a amo. Não sei o que é amar. Gostaria que ela parasse de fazer diferença na minha vida, mas ela faz. Ás vezes, sinto saudades dela, vontade de beijar ela, falar que amo ela. Mas depois sinto que eu deveria odiá-la. Mãe é mãe, você tem que amar ela de qualquer jeito, porque quando você perder ela, vai sentir saudades e vai ser arrepender. Por quê? Porque sua mãe cuidou de você quando era pequena, coloca comida dentro de casa, compra roupa para você, paga plano de saúde, te dá dinheiro para sair. Mas, por que tenho que me arrepender se ela se for? Quero uma resposta que me satisfaça completamente. Que seja fora do senso comum. Tá bom que a idéia da morte de alguém sempre assusta a gente. Mas então, deveria amar meu pai? Vou sentir falta dele quando ele morrer e vou me arrepender por não ter procurado ele e tentado me reconciliar? Sinceramente, a religião e as pessoas "boas" acham que sim. Mas por que o filho da mãe, desgraçado não pode fazer a mesma coisa? Por que a minha mãe também não pode mudar um pouco o jeito dela e ser mais paciente comigo? Por que sou só eu que tenho que levar toda a carga da culpa em cima dos meus ombros? Por que sou eu que tenho que mudar, ter mais paciência, agradecer por ela existir? E se eu morrer? Será ninguém vai sentir minha falta e não vai desejar ter sido mais presente e mais paciente comigo? Pois tá ai! Eu queria morrer só um dia, só para ver a reação das pessoas que me conhecem. Mas não quero morrer. Tenho medo disso também. Penso que eu deveria tentar ter minha chance de conseguir viver, pois ainda não vivi minha vida.
Uma pergunta: cadê minha mãe quando tenho crises nervosas, compulsões e vomito até passar mal? Hoje, por exemplo, quase pedi ajuda da SAMU, porque meu estômago estava doento muito, parecia que ia desmaiar, estava tonta e chorando. Tá bom que eu tento esconder minhas compulsões dela. Mas, poxa, isso não significa que eu não queria que ela soubesse e me ajudasse. Se bem que se ela souber, vai me xingar. Vai falar que não tenho força de vontade, que gasto dinheiro comprando essas porcaria e que ela desperdiçou o dinheiro investido no tratamento para emagracer caro que ela pagou para mim. Que não aguenta mais pagar psicóloga pra mim. Que quando eu tiver nervosa é pra tomar fluoxetina. Essa porra de remédio não funciona pra mim. E também não quero tomar remédio. Quero me livrar das compulsões que aparecem quando não consigo resolver um problema de imediato. Quero é ter paciência e saber respirar na hora do aperto e aceitar minhas responsabilidades.
Briguei feio ontem com minha mãe, e não foi a primeira vez que ela me bateu. Ela podia ter mais força pra conseguir me bater mais forte, porque, já que estou apanhando e sendo humilhada mesmo, que apanhe com força, pra sentir a dor física por mais tempo. Sou um pouco masoquista! Hehe! Por causa disso, escrevi uma carta bem atrevida pra ela, enquanto derramava rios de lágrimas no teclado do computador. Cena de filme! Mas daí, quando estava pronta, a impressora deu problema. Então fui na cozinha e aconteceu aquilo que descrevi ontem no blog. O impulso de entregar a carta atrevida passou depois que vomitei. Daí, fiquei imaginando se seria realmente prudente ter entregado a carta. Acho que alguma coisa, sei lá, Deus, o universo, fez a impressora dar pau, para eu poder comer, vomitar e não entregar a carta.
Estou com mania de tomar os remédios calmantes da minha mãe. Ontem tomei dois de noite. Fiquei relaxaaaada e fui durmi. Acordei meio groge, mas numa vibe legal. Daí, minha mãe me pediu para ir levar o carro para lavar porque ela estava com infecção urinária. Na hora, senti pena, levantei e fui levar o carrinho dela pra lavar. Quando estava voltando para casa me deu uma vontade de chorar. Parecia que hoje eu não queria acordar. Queria ficar só dormindo, passar o dia em branco, deixar de viver hoje. Daí, quando cheguei em casa, encontrei ela deitada no sofá e o almoço estava por fazer. Não sei se ela estava esperando que eu fizesse, mas não quis fazer. Por preguiça? Sei lá. Na hora, não tive vontade de agradá-la. Tomei o santo remédinho dela de dormir e viajei. Literalmente viajei. Eu não estava dormindo, eu estava viajando. Não consigo me lembrar o que era, mas parecia que estava empurrando coisas que flutuavam. Muita viagem! Depois de um tempo, ela me acordou e falou que o almoço estava pronto. A última coisa que comi no almoço foi verdura. Não estava enchergando quase nada. Ainda estava flutuando. Daí, ela falou que ia para a cidade da família dela. Ligou para minha tia e essa tia quase me convenceu a ir com minha mãe. Mas eu não estava afm. Estava afim mesmo de ficar em casa, sozinha e comer pra caramba. Foi isso que fiz. Fiquei com um pouco de dó da minha mãe, porque parecia que ela queria que eu fosse com ela. Mas, não gosto da presença dela perto de mim. Isso é fato. Não estou com saco pra aguentar minhas tias, primos e minha avó. Aliás, por causa da minha mãe, estou tomando birra de velhos. Não vou para o céu, definitivamente! Já não tenho saco pra crianças, agora não tenho saco pra velhos.
A vontade de comer besteiras está voltando. Eu joguei fora o pacote de biscoito que tinha comprado. Estou com vontade de comer ele agora. Mas, e ai? Se eu comer, vou querer comer mais chocolate, depois mais não sei o que, e depois? Vomitar de novo... sempre o mesmo ciclo. Será que essa vontade nunca vai passar? Basta, meu Deus! Estou cansada de lutar sozinha, poxa!
Bem, vou dormir agora. Bom desabafar no blog. Desculpe-me os palavrões, mas é muito bom falar palavrão!
Boa noite!
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